Símbolo de riqueza e importante factor económico em todas as épocas, a ponto de tornar-se padrão internacional de conversão de moedas por mais de um século, o ouro encontrou novas aplicações, no final do século XX, na indústria electrónica.

O ouro, elemento químico de símbolo Au, é um metal de cor amarela, denso e brilhante. Graças a essas características, bem como a sua inalterabilidade e raridade é o metal precioso por excelência. Apresenta certas propriedades físicas e químicas singulares: tem grande ductilidade, isto é, pode ser facilmente reduzido a fios sem se romper, sua maleabilidade é tão elevada que pode ser batido até alcançar uma espessura da ordem de 0,001 mm, em folha translúcida e tem pouca dureza, pelo que é frequentemente usado em ligas de cobre e prata. Bom condutor de calor e electricidade, o ouro não se altera em contacto com o ar e a água, mas é atacado pelo cloro e dissolve-se no mercúrio.

O ouro está amplamente distribuído na natureza, embora em concentrações escassas. Normalmente encontrado em rochas magmáticas, na forma de partículas de varias dimensões, bem como em rochas sedimentares e frequentemente em conexão em rochas metamórficas. Encontra-se mais frequentemente, em quantidades apreciáveis, em depósitos sedimentares clásticos denominados placers.

O ouro encontra-se em quase todas as regiões da terra, sobre as mais diversas condições de ocorrência. No Brasil durante muito tempo os depósitos mais importantes estiveram ao longo da Serra do Espinhaço em Minas Gerais, e a mina de ouro velho nas proximidades de Belo Horizonte é uma das mais profundas do mundo. Entretanto na segunda metade do século XX a principal área de extracção passou a ser a Amazónia.

Sob o ponto de vista da extracção, as minas de ouro pertencem a dois tipos. No primeiro tipo, as minas de rochas auríferas, geralmente localizados em filões. A exploração desse tipo de mina pode ser feita a mais de 3 mil metros de profundidade. O segundo tipo, as minas de depósitos aluviais auríferos, é de exploração bem mais fácil, o trabalho se faz por meio de dragas.

Na exploração de veios subterrâneos (filões), o metal é triturado, lavado e submetido à amalgamação, processo que consiste na mistura de grânulos de ouro com mercúrio em placas de cobre, para separá-los da ganga. Em outros casos, essa última fase é submetida pela reacção do ouro com cianeto de sódio, com posterior precipitação do metal puro por reacção com o zinco ou alumínio.

O tratamento do ouro, encontrado nas areias de aluvião é bem mais simples. A massa arenosa fina passa por calhas equipadas e desbastadores, e chega a coadores com fundo revestido de veludo filetado. O ciclo da extracção quase sempre finalizada com amalgamação, inclui ainda refinação, quando os ouros contêm impurezas, que podem ser eliminadas por compilação, por via química ou por electrólise.

Aplicações: por ser encontrado em forma relativamente pura na natureza e pela singularidade de suas propriedades físicas, o ouro tornou-se o mais apreciado dos metais, muito usado desde a antiguidade em joalharia, ourivesaria e em decoração. Artesãos egípcios, assírios e etruscos criaram, belos trabalhos de arte em ouro, material que era aceite na troca de bens e serviços.

Em joalharia, o ouro é geralmente empregue em liga com prata e cobre (ouro amarelo) com níquel (ouro branco) paládio ou platina. O ouro puro, vulgo ouro fino, é a liga com o menor teor de ouro baixo. O ouro é classificado por quilate que é cada uma das partes do peso do ouro puro em quantidades de 24 partes do metal usado para a liga.

Por sua elevada condutibilidade eléctrica e resistência a agentes corrosivos, o ouro é empregue na indústria eléctrica e electrónica, no revestimento de circuitos impressos, contactos, terminais e sistemas semicondutores. Películas muito finas de ouro que reflectem mais de 98% da radiação infravermelha incidente, são usados em satélites artificiais para controle de temperatura e nos visores dos trajes espaciais, como protecção. Da mesma forma, essas películas, aplicadas às janelas dos grandes edifícios comerciais, reduzem a necessidade de ar condicionado e conferem maior beleza às fachadas. Na área da saúde o ouro tem aplicação na odontologia, para obturação.

Mais da metade da produção mundial de ouro é adquirida pelos bancos centrais de todos os países para construir reserva monetária. Além disso, como garantia do papel-moeda em circulação, o ouro pode ser utilizado para cobrir diferenças nas Balanças de Pagamentos de diferentes países.

A adopção do ouro como unidade de conta pelos diferentes sistemas monetários conduziu ao estabelecimento do padrão-ouro, posto em vigor pela primeira vez no Reino Unido em 1821. Tal padrão estipulava relações fixas pelas quais qualquer moeda poderia ser convertida em seu valor em ouro. Depois da Primeira Guerra Mundial, no entanto, o número de países que garantiam a conversão de sua moeda em ouro passou a ser cada vez menor e a prática foi totalmente extinta após ter sido abandonada pelos E.U.A, último, país a adoptá-lo.