Grafico ascendenteA cotação do ouro pode chegar a 10.000 dólares a onça num cenário em que os países sejam obrigados a readotar o padrão-ouro é a opinião de Paul Brodsky, gestor de investimentos da QB Asset Management expressa numa conferência em Nova York.

A cotação do ouro pode disparar até 600% nos próximos anos se a economia mundial entrar em colapso.

Atualmente negociado pouco abaixo de 1.700 dólares a onça no mercado internacional, o metal pode chegar a nada menos do que 10.000 dólares.

Pode parecer apenas mais uma previsão delirante de gente do mercado financeiro, mas Brodsky tem uma explicação económica para sua teoria. Os países desenvolvidos têm tomado medidas para desvalorizar suas moedas como forma de reativar as próprias economias. A China já mantém uma política de câmbio praticamente fixo e desvalorizado há vários anos.

Se os principais países continuarem a adotar medidas para desvalorizar artificialmente as moedas locais, o padrão de câmbio flutuante, adotado desde a década de 70 pelas nações mais ricas, poderia, na prática, deixar de existir.

O regresso ao câmbio fixo teria seus efeitos colaterais. Com a fraqueza do dólar, o lastro para o valor da moeda de cada país não poderia ser dado pelo dinheiro Americano. Restaria aos países, portanto, acumular reservas em ouro para garantir o valor da moeda local.

Longe de ser uma mera previsão, o valor de 10.000 dólares a onça foi calculado dividindo a atual base monetária dos EUA, de 2,68 trilhões de dólares, pelas reservas de ouro do Federal Reserve (o Banco Central Americano), que somam 261,5 milhões de onças.

O ouro já subiu 18% neste ano e chegou a 1.676,60 dólares a onça nos Estados Unidos. Trata-se do 11º ano seguido de valorização do metal.

Fraqueza do dólar, risco de calote na Europa, inflação nos países emergentes, guerras no Oriente Médio e possibilidade de novos atentados terroristas são excelentes motivos para o investidor colocar o seu dinheiro em ativos seguros.

Um deles é o ouro. O metal é considerado pelos investidores uma espécie de porto seguro. Foi o melhor investimento de 2010, quando teve valorização superior a 30%. Desde os atentados de 11 de Setembro de 2001, em Nova York, o ouro acumula recordes consecutivos. Para quem está pensando em investir em ouro agora, a primeira pergunta que vem à cabeça é: o ouro já ficou caro? Há especialistas que acham que ainda não.

Walter de Wet, analista de metais do Standard Bank em Londres, considera o ouro uma das melhores commodities metálicas para se investir neste ano. DeWetEle afirma que há diversos motivos para permanecer otimista. O principal deles é que as reservas internacionais de diversos países cresceram muito nos últimos anos. A maior parte desse dinheiro acaba aplicada em títulos de dívida de outros governos. No entanto, uma parte cada vez maior é investida em ouro – e é isso que empurrou a cotação da onça (pouco mais de 31 gramas) para valores record em Nova York.

Por trás desse movimento, está o temor de um calote de dívida soberana em países da Europa e o progressivo enfraquecimento do dólar. Bancos centrais de países como China, Índia, Rússia e México possuem trilhões de dólares em reservas e têm transferido parte do dinheiro aplicado em títulos de dívida para o ouro. Ao mesmo tempo, a oferta mundial é incapaz de atender a demanda.

Não há nenhuma garantia que esse movimento continue a ser observado no futuro e o investidor que entrar agora deve estar ciente que os preços atuais são bastante elevados. Mas o debate sobre a bolha do ouro tem sido intenso desde que a onça atingiu 1.000 dólares e, contra todos os prognósticos pessimistas, a escalada continua.

Wet, do Standard Bank, admite que a retirada gradual dos estímulos econômicos e da política monetária frouxa nos Estados Unidos, esperada para os próximos meses, deverá encolher parte da liquidez abundante que existe no mundo – o que também ajuda a inflacionar os preços das commodities. Isso poderia levar a uma queda temporária do ouro, mas, segundo ele, ainda haverá motivos para a reapreciação do metal. “Muita gente diz que os estímulos monetários estão por trás da alta. Mas essas políticas foram adotadas há apenas dois anos enquanto o ouro já está em escalada há uma década”, afirma.