O ouro bateu ontem um novo recorde em euros.

Cotação em euros do metal precioso atingiu ontem um novo máximo histórico. O ouro cotou em 1.087 euros.

A incerteza criada em torno da crise de dívida soberana, as taxas de juro reais negativas, os receios com a subida da inflação e a fraqueza do dólar levaram os investidores europeus a entrarem numa corrida ao ouro. Segundo dados do World Gold Council, entidade que colige a informação sobre a procura e a oferta do metal amarelo, a procura por barras e moedas de ouro duplicou no primeiro trimestre, face a igual período do ano passado.

A febre pelo ouro, um activo que tende a valorizar em períodos turbulentos e de inflação elevada, levou a cotação em euros do metal precioso a registar um novo máximo histórico durante a sessão de ontem. O preço chegou a atingir os 1.087,81 euros e valoriza 2% desde o início do ano. Já em dólares, o ouro acumula ganhos de 7,52% em 2011, valendo 1.526 dólares.

“Na Europa, a solicitação de um resgate da UE por Portugal no final do trimestre, reforçou os receios dos investidores de que a recuperação da Europa seja fragmentada e que as tensões internas provavelmente têm um impacto significativo no futuro da UE e do euro”, refere o WGC. Além da crise de dívida soberana, a entidade observa que também a instabilidade no Norte de África e no Médio Oriente também levaram a um aumento da procura.

Recorde-se que o metal amarelo dá ganhos aos investidores há dez anos consecutivos. O retorno anualizado desde 2000 é de 12,19% em euros e de 16,10% em dólares.

O cenário de receio fez com que a procura dos europeus por barras e moedas de ouro passasse de 39,5 toneladas no primeiro trimestre de 2010 para 78,1 toneladas nos primeiros três meses de 2011. Já em termos de valor, a procura atingiu 3,481 mil milhões de euros entre Janeiro e Março deste ano, mais 147% que os 1,41 mil milhões verificadas no período homólogo. A nível mundial, a procura por barras e moedas aumentou 52% para 366,4 toneladas. Atingiu os 16,33 mil milhões de dólares, mais 90% que em 2010.

Além deste interesse, o ouro começou a ser aceite como colateral em operações financeiras, com câmaras de compensação a aceitarem o metal amarelo em condições similares aos títulos de dívida alemã ou francesa, por exemplo.

Analistas não antecipam fim do ‘bull market’ no metal amarelo.

Apesar da febre pelo ouro e de alguns economistas falarem na possibilidade de se estar na presença de uma bolha, os maiores bancos de investimento continuam optimistas para o desempenho do metal amarelo e não vaticinam, para já, o fim do ‘bull market’.

Esta semana, o Goldman Sachs afirmou que “espera que os preços do ouro continuem a subir em 2011 já que o programa de ‘quantitative easing’ [dos EUA] deverá manter a taxa de juro real baixa”. A Reserva Federal dos EUA está a injectar dinheiro na economia ao mesmo tempo que mantém as taxas de referência próximas de zero, o que tira atractividade ao dólar. No entanto, o banco prevê um bom crescimento económico nos EUA em 2012, antecipando que o preço do ouro atinja o seu pico nesse ano. O Goldman espera que o ouro negoceie em média nos 1.690 dólares nos próximos 12 meses.

Também o Deutsche Bank referiu num ‘research’ recente que “as condições para mais avanços nos preços permanecem intactas, como taxas de juro reais negativas, compras por parte de bancos centrais e um dólar norte-americano estruturalmente fraco”. O banco alemão tem um preço-alvo de 2.000 dólares para o metal amarelo.

Fonte: Económico – 2011 Mai 26